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Com AMLO outro México é possível

29 de Junho de 2012, 21:00 , por Bertoni - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Em 6 de maio de 2012, quando foi realizado o primeiro debate eleitoral da disputa presidencial mexicana, que ocorre neste domingo 01 de julho, o PiG mexicano caricaturou assim a disputa: um "Pretty Boy" (Enrique Peña Nieto - EPN, do PRI), uma "boneca debutante" (Josefina Vázquez Mota - JVM, do PAN) e um "foi" (Andrés Manuel López Obrador - AMLO, PRD) .

Na época, Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI),
liderava com folga as pesquisas de opinião, logo era o candidato a bater. Levou porrada tanto de Vázquez, do Partido de Ação Nacional (PAN) quanto de López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD).

Dos três, López Obrador foi considerado outsider, descrito pelas velhas mídias do México como um vigoroso cansado de esquerda, um velho, mau perdedor (ganhou, mas não levou a eleição presidencial em 2006, devido as tradicionais fraudes eleitorais no México), um candidato cheio de idéias socialistas que há muito haviam sido desacreditadas.

Mas hoje, López Obrador - conhecido no México por suas iniciais, AMLO encontra-se empatado em primeiro lugar com Peña Nieto.

Embora as pesquisas eleitorais no México sejam pouco confiáveis e o eleitor mexicano só decida seu voto na cabine de votação, a "ressurreição" política de AMLO surpreendeu aos "especialistas" e a possibilidade de um governo de esquerda ser eleito no México é real.

A ascensão de AMLO é a consequência tanto da crise mexicana, do cansaço do povo com a chamada "Guerra contra as Drogas", do desgate dos governos neoliberais, assim como resultado de uma campanha iniciada por estudantes (a cerca de 4 ou 5 semanas) nas mídias sociais onde se condenam as velhas mídias mexicanas - as redes de TV como Televisa e jornais portavozes da elite do México - e seu papel em favorecer os interesses do PRI.

O movimento surgiu depois que Peña Nieto (PRI) foi vaiado por estudantes de uma universidade. Peña Nieto fez pouco das vais, minimizando-as como  produto de "131 descontentes". O comentário resultou em protestos de rua na Cidade do México nos quais os manifestantes portavam cartazes com o slogan "Yo Soy #132" (Eu sou número 132), que rapidamente se tornou viral nas redes sociais.

As denúncias dos manifestantes de que a rede Televisa fazia cobertura favorável a Peña Nieto (PRI) foram confirmadas em 7 de junho, quando The Guardian publicou um orçamento e um cronograma de pagamentos feitos pelo PRI à Televisa, totalizando mais de US$ 22 milhões de dólares.

O "Yo Soy #132" é um movimento composto basicamente por jovens e tem sido chamado de versão mexicana da "Primavera árabe". Porém, se no Oriente Médio os manifestantes reivindicavam a queda dos regimes impopulares, no México eles tentam impedir que um impopular partido político - o PRI - retorne ao poder.

Os jovens mexicanos usaram as mídias sociais para espalhar uma mensagem simples, usando as iniciais de  Enrique Peña Nieto - EPN: "Este Pendejo No" que quer dizer "Este Safado Não".

A campanha de AMLO aproveitou o momento e estabeleceu uma estratégia simples. Primeiro, propôs a a versão do Lulinha Paz e Amor com criação de uma "República Amorosa", cujo objetivo seria restaurar os valores da sociedade mexicana para resolver os males da nação. Apresentada como "AMLOVE", a idéia é criar um debate nacional entre empresários, líderes religiosos e acadêmicos para encontrar soluções sustentáveis ​​para problemas do México com base em ideais humanistas.

Em segundo lugar, AMLO focou sua crítica no "estado de insegurança" e "corrupção" no México, como conseqüência da Guerra às Drogas.

AMLO encontrou ressonância enorme em um público cansado das notícias diárias sobre as mortes resultantes da chamada Guerra às Drogas e que se encontra emocionalmente estressado. Recentemente foram publicadas pesquisas que comprovam que um grande número de mexicanos  apresentam sintomas de pós-stress traumático - SPST. Os estudos documentam SPST até em crianças mexicanas de apenas 8 anos de idade.

A possibilidade de vitória de AMLO deixou o empresariado mexicano em polvorosa. Para variar eles espalham terror informacional dizendo temer uma "venezuelização" do México devido às propostas de AMLO  de nacionalização economia e de criação de programas sociais, repetindo o terrorismo informacional praticado no Brasil em 2002. Assim como Lula fez em 2002, AMLO teve que tranqüilizar o público e dizer que não tem intenção de copiar o estilo de Hugo Chávez no México, se eleito.

Em abril os mexicanos pareciam resignados ao retorno do PRI ao poder. Agora todas as apostas estão em aberto.

Os megacomícios do encerramento da Campanha de AMLO em 2012, mostram que também no México a Esperança pode Vencer o Medo e que, se não houver fraude, grandes são as chances do México se juntar ao resto da América Latina e optar por um governo Democrático Popular.

Isso seria muito bom para o povo mexicano, assim como para toda a sofrida América Latina que, outra vez, vê os fantasmas dos golpes de estado financiados pelos EUA rondando o continente.

Do Mural de Despierta Mexico

 

Da página de AMLO

 

Do Mural de Jovenes com AMLO Victoria


Tags deste artigo: outro méxico é necessário liberdade amlo esperança méxico

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