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Negociações na VW-Rússia chegam a um beco sem saída

22 de Agosto de 2012, 21:00 , por Bertoni - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Parece que as negociações entre a administração da Volkswagen e o  MPRA - Sindicato Interregional dos Trabalhadores na Indústria Automobilística da Rússia chegaram a um beco sem saída.

As negociações duraram mais de cinco meses! Trabalhou-se muito neste período. Agora, podemos falar tranquilamente sobre as posições e interesses específicos que defendem os negociadores e tirar as próprias conclusões.

Em abril de 2012, o MPRA  tomou a iniciativa de promover as negociações entre o coletivo de trabalhadores e a direção da fábrica da Volkswagen em Kaluga. O objetivo dos trabalhadores era fechar um acordo coletivo que pudesse efetivamente proteger os direitos sociais e laborais dos trabalhadores e ter um impacto positivo sobre seus padrões de vida. E não é de surpreender que, neste caso, os trabalhadores na Volkswagen tomaram como exemplo a experiência de seus companheiros de Vsevolozhsk, onde os ativistas sindicais na fábrica da Ford fecharam
acordo coletivo com a direção da empresa na primavera de 2011.

A proposta de acordo coletivo, apresentada pelo sindicato, abrangia praticamente todos os aspectos do trabalho na empresa: disciplina, segurança no trabalho, jornada, turnos e remuneração do trabalho. Em particular, a proposta tratava de temas tais como a necessidade de indexação dos salários, aumentos salariais anuais de 5%, redução da jornada de trabalho em áreas com condições de trabalho pesadas.

No entanto, a direção da empresa rejeitou grande parte da proposta. O resultado de cinco meses de trabalho da comissão de negociação é um protocolo de discordâncias, que eloquente testemunha a relutância da administração da VW em fazer concessões aos trabalhadores. Além disso, quase todos os pontos de pauta
relacionados à remuneração e à regulamentação da jornada de trabalho foram rejeitados pela administração da empresa.

O MPRA  propôs à empresa a criação de uma comissão de conciliação para discutir as questões conflituosas em separado. Ocorreu, porém, a intervenção do ACM (NT - o pelego sucessor do antigo "sindicato" soviético que dizia representar os trabalhadores na indústria de automóveis e máquinas agrícolas), o que veio a complicar ainda mais a já difícil situação. O ACM defendeu rejeitar a criação da comissão de conciliação e voltar às negociações, o que significa atrasar o processo, gastar tempo e calar-se diante dos pontos defendidos pelo MPRA. Claro, os gerentes da Volkswagen aceitaram com prazer a proposta de ACM.

Note-se que  ACM representa menos de 1% dos trabalhadores na Volkswagen, cerca de 40 pessoas, e a maioria de seus líderes são comandados pelos ​​burocratas da sessão Regional  Conselho dos Sindicatos
de Kaluga (NT - também sucessora dos antigos "sindicatos" soviéticos e altamente ligada aos governos locais e nacional). Desde o início das negociações, o MPRA fez um gesto de amizade e solidariedade incluindo os representantes do ACM na comissãode negociação. Mas, como se vê agora, os burocratas da Regional do Conselho dos Sindicatos de Kaluga, usam a participação do ACM nas negociações para melar o processo.

Não há nada de surpreendente. Os "profkomychi" (NT - forma pejorativa de tratar os sindicalistas profissionais pelegos ligados às velhas estruturas e ao governo Putin) nunca perdem a chance de defender os interesses do empregador. Isso é natural, porque os burocratas são muito ligados ao grande business (negócio) com o qual eles teceram uma estreita rede de corrupção, diferentemente dos sindicatos militantes, que são formados por trabalhadores comuns de base.

E quando os membros do MPRA questionam os representantes do ACM, a resposta é sempre a mesma: "não há nada que possamos fazer. Os burocratas vêm do "centro" (NT - Moscou) e nos comandam. Se não aceitamos,  dissolvem nosso sindicato". Os burocratas do Conselho Sindical Regional de Kaluga tem poder absoluto sobre a liderança de ACM - incluindo a nomeação direta de "líderes" que agradem o presidente!

É claro que numa situação dessas,  esperar por uma "resolução construtiva" das negociações custaria muito tempo e provavelmente o conflito seria "resolvido" em favor do empregador. Por isso, os ativistas do MPRA na Volkswagen decidiram que o prazo-limite para negociações estava esgotado! É preciso agir! - dizem.

De acordo com o Código do Trabalho da Federação Russa, a comissão de negociação tem o direito de convocar a greve a partir do momento que há uma recusa em criar a comissão de conciliação.

Os trabalhadores estão cansados: quanto tempo mais é possível "alimentar" as pessoas com promessas e conversas furadas?

Ativistas MPRA promoveram assembleias no chão de fábrica e elegeram  os delegados para a conferência a ser realizada em 26 de agosto, onde será votada a realização ou não da greve. Neste momento muitos trabalhadores apóiam a ideia de agir.

Note-se que, quando o cheiro de fumaça paiorou no ar, os chefões da Volkswagen pisaram manso: a direção da empresa em Wolfsburg obrigou a administração da planta de Kaluga a criar uma comissão de conciliação para tratar das questões relacionadas no protocolo de discordâncias no menor tempo possível. Mas o mecanismo para deflagração da greve já está em execução, pois já se passaram mais de 20 dias desde que foi enviada a carta propondo a adoção de procedimentos de conciliação. Portanto, as reivindicações que os filiados do MPRA defendem não é a criação da Comissão de Conciliação e continuadade de uma negociação sem fim com a burocracia, mas a inclusão dos pontos em conflito no texto do acordo coletivo.

"A greve é nosso direito!" - Esta é a palavra de ordem que  trabalhadores anualmente levam às ruas no Dia 1º de Maio. E os membros da MPRA estão sempre prontos para demosntrar na prática que o respeito aos direitos legítimos dos trabalhadores é uma condição necessária para a existência de uma sociedade civilizada e democrática.

Só a força dos Trabalhadores organizados é capaz de dar vida ao Códigos (leis) nos quais os burocratas estatais, empresários e magnatas costumam ​​para cuspir.

Tradução de Sérgio Luís Bertoni

Original em russo está em: http://mpra.info/news/mpra/759-MPRA-na-Folksvagene-limit-na-peregovori-ischerpan


Tags deste artigo: trabalhadores sindicato organização luta acm mpra rússia greve

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